A história do desporto das pessoas portadoras de
deficiência teve início na cidade de Aylesbury, na Inglaterra. A pedido do
governo britânico, o neurologista Ludwig Guttmann, que fugira da perseguição
aos judeus na Alemanha nazista, criou o Centro Nacional de Lesionados Medulares
do Hospital de Stoke Mandeville, destinado a tratar soldados do exército inglês
feridos na Segunda Guerra Mundial. Embora já se promovessem atividades
desportivas para portadores de deficiência, principalmente na Inglaterra, nos
Estados Unidos e na Alemanha, foi em 1948 que este conceito ganhou carácter
oficial, com a realização dos Jogos de Stoke Mandeville. Os médicos de
Aylesbury começavam a adotar, definitivamente, a prática sistemática do desporto
como parte essencial da reabilitação médica e social dos pacientes. A
realização dos Jogos, que contaram com a participação de 16 atletas veteranos
de guerra, coincidiu com a disputa, em Londres, da XIV Olimpíada. O próprio
Guttmann organizou o evento em Stoke Mandeville, demonstrando seu desejo de que
um dia os atletas portadores de deficiência tivessem a sua olimpíada. O sonho olímpico de Guttmann
viria a concretizar-se em 1960, em Roma.
O seu colega Antonio Maglio, diretor do
Centro de Lesionados Medulares de Ostia, na Itália, propôs que os Jogos
Internacionais de Stoke Mandeville se realizassem naquele ano na capital
italiana, imediatamente após a XVI Olimpíada, e nas mesmas instalações. Os
Jogos Paralímpicos, com a denominação de Olimpíadas dos Portadores de
Deficiência reuniram 400 desportistas em cadeira de rodas, de 23 países. A
competição teve todo o apoio das autoridades italianas. O Papa João XXIII
recebeu os participantes em audiência privada e elogiou o trabalho de Guttmann.
Desde então, com as exceções provocadas por problemas administrativos de países
anfitriões, os Jogos Paraolímpicos realizam-se na mesma cidade e nas mesmas
instalações dos Jogos Olímpicos.
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